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Quando ele abandonou a família o chamaram de "louco". Mas a razão vai te fazer repensar a vida

Vindo de uma família de classe média, formado em Direito e com um emprego estável, Edgard Raoul Gomes, aos seus 30 anos decidiu fazer algo que muitos não imaginam ou sequer cogitaram na vida. Deixou conforto, família e amigos para trás e foi viver como um refugiado na Europa. Nada de turismo, nada de comprar presentes, ele queria algo maior que dinheiro algum no mundo compra. Não bastava para ele ler as notícias ou ouvir as críticas explicando o que acontecia no mundo, ele queria entender afundo, sentir na pele, olhar nos olhos dos únicos que realmente sabem o que está acontecendo.

Foi voluntário na ilha de Lesbos, na Grécia, depois passou 26 dias viajando por oito países europeus. Ao lado de imigrantes sírios, iraquianos e afegãos, passou 12 dias sem conseguir tomar banho e perdeu 8kg num trajeto que ligava Grécia até Alemanha.

Quando ele abandonou a família o chamaram de "louco". Mas a razão vai te fazer repensar a vida

Essa mudança repentina em sua vida pode até ser inesperada, mas não foi surpreendente para quem já conhecia Edgard. Segundo sua mãe, Maria Raquel Cintra de Campos, atualmente com 59 anos, ele sempre foi uma pessoa singular.“Desde pequeno ele queria fazer a diferença na vida das pessoas (...), quando ele era criança, soube que o porteiro do prédio não sabia ler e perguntou: 'Mãe, posso dar aula particular para ele?' Ele sempre olhou para as pessoas que são quase invisíveis. A gente não acorda pensando na Turquia. Ele sim", afirma.

 
Quando ele abandonou a família o chamaram de "louco". Mas a razão vai te fazer repensar a vida

Maria confessa que ficou apreensiva em vários momentos do filho, mas um foi mais marcante.“Falei: 'filho, pelo amor de Deus, se cuida'. Vi que ele apanhou, ficou sem tomar banho. É uma coisa tão distante da gente que eu nem consigo imaginar”, lembra. A mãe ainda conta que Edgard nunca foi um menino preso aos conceitos de pessoa estática, teve sempre iniciativa em vários aspectos da vida e nunca conseguiu ficar indiferente ao universo que o rodeia. “Ele sempre foi arrojado. Andava de moto em São Paulo, pulou de paraquedas. É muito esperto e articulado. Ele não conseguia ficar trancado em um escritório. Queria realizar grandes coisas”,descreve.

José Edgard Gomes, pai do desbravador Edgard, diz que sua primeira reação foi de susto, mas depois entendeu que isso era correspondente ao filho que ele conhece. “Fiquei um pouco assustado. Depois me tranquilizei. Ele sempre esteve ao lado dos oprimidos. É muito protetor. Foi um gesto natural dele.”

Quando ele abandonou a família o chamaram de "louco". Mas a razão vai te fazer repensar a vida

Guilherme, irmão de Edgard, 36 anos, conta um fato admirável do momento em que o advogado descobriu que um funcionário da empresa onde ele trabalhava era viciado em crack.“Ele passou a ir com ele nas reuniões dos Narcóticos Anônimos. Esse projeto expressa a natureza dele e de todos nós, de cooperação, fazer pelo outro”, afirma.

A mãe se orgulha de ver o filho seguindo seu coração generoso e cooperativo. “A gente cria filho é para isso. Uma pessoa comentou comigo: ‘O Edgard está louco’. Falei: ‘Loucos somos nós, que estamos aqui. Ele está realizando o que ele quer´”, completa.

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