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Após passar por um trauma terrível, essa mulher tem um exemplo de vida lindo para nos dar

O depoimento de Tati é um desabafo sobre uma situação que muitas mulheres passaram. Se emocione com a história de uma super mãe.

"Queria compartilhar minha estória, primeiro porque acho que me fará bem poder falar sobre isso depois de um ano e segundo pois acredito ajudar quem já passou por isso.Meus primeiros filhos são gêmeos, fiz tratamento e tive uma gravidez tranquila e tudo foi maravilhoso. No ano passado, engravidei naturalmente do Joaquim, e nossa felicidade foi enorme!!Tudo estava indo muito bem até que num ecocardiograma fetal descobrimos que ele tinha síndrome de Ebstein, uma má formação da válvula tricuspide do coração. Aqui queria fazer uma ressalva, pois minha médica pede esse exame como rotina e muitos médicos ainda não pedem, então acho que vale a pena fazer sim esse exame!Enfim, saí em estado de choque do ultrassom, não sabia o que era isso… Depois desse dia fui à cardiologistas, fiz mais exames e o que me diziam era que não tinha risco de vida pois a má formação dele não era tão grande mas que teria que operar o coração para corrigir depois que ele nascesse. E, apenas depois de nascer, poderiam avaliar se teriam que operar logo ou mais velho, com seis meses, um ano ou até mais… Bom nem preciso dizer que o pânico voltou, mas depois de mais algumas consultas como boa otimista eu tinha me convencido que ia dar tudo certo na cirurgia e que precisava rezar para a cirurgia poder ocorrer com ele mais velho e mais forte, minimizando os riscos.

O depoimento de Tati é um desabafo sobre uma situação que muitas mulheres passaram. Se emocione com a história de uma super mãe.

"Queria compartilhar minha estória, primeiro porque acho que me fará bem poder falar sobre isso depois de um ano e segundo pois acredito ajudar quem já passou por isso.Meus primeiros filhos são gêmeos, fiz tratamento e tive uma gravidez tranquila e tudo foi maravilhoso. No ano passado, engravidei naturalmente do Joaquim, e nossa felicidade foi enorme!!Tudo estava indo muito bem até que num ecocardiograma fetal descobrimos que ele tinha síndrome de Ebstein, uma má formação da válvula tricuspide do coração. Aqui queria fazer uma ressalva, pois minha médica pede esse exame como rotina e muitos médicos ainda não pedem, então acho que vale a pena fazer sim esse exame!Enfim, saí em estado de choque do ultrassom, não sabia o que era isso… Depois desse dia fui à cardiologistas, fiz mais exames e o que me diziam era que não tinha risco de vida pois a má formação dele não era tão grande mas que teria que operar o coração para corrigir depois que ele nascesse. E, apenas depois de nascer, poderiam avaliar se teriam que operar logo ou mais velho, com seis meses, um ano ou até mais… Bom nem preciso dizer que o pânico voltou, mas depois de mais algumas consultas como boa otimista eu tinha me convencido que ia dar tudo certo na cirurgia e que precisava rezar para a cirurgia poder ocorrer com ele mais velho e mais forte, minimizando os riscos.

Após passar por um trauma terrível, essa mulher tem um exemplo de vida lindo para nos dar

E enquanto eu vivia tudo isso, eu e meu marido decidimos não contar para absolutamente ninguém já que não tínhamos respostas e a última coisa que precisávamos eram de mais perguntas.Então vivemos esse temor sozinhos, enquanto isso a vida continuava e as pressões no trabalho e do dia a dia idem. Eu trabalhei mais do que deveria, já que queria deixar tudo organizado para poder cuidar do Joaquim depois que ele nascesse e me arrependo pois acho que fiquei muito estressada e, sem dúvidas, meu filho deve ter sentido esse stress.Vinha acompanhando a gravidez quinzenalmente, até que no ultrassom de 36 semanas a cara da minha médica mudou, o Joaquim estava com líquido nos órgãos, sinal que algo havia piorado e agora ele corria risco, no dia seguinte confirmamos o diagnóstico no Einstein e saí direto para a sala de parto, sem pegar mala e nem nada. Acho que eu não tinha caído na real, cheguei e ainda queria tirar foto do parto, até que meu marido me olhou nos olhos com a ternura de sempre mas firmemente falou- meu amor, acho que você não entendeu, você terá um parto de risco, as coisas não estão bem…

Depois disso foi tudo muito rápido, fiz a cesárea, me mostraram meu tão esperado filho muito rapidamente e ele já estava meio roxo, nem pude segurá-lo, me anestesiaram um pouco pois estava muito nervosa. Acordei no quarto horas depois, e queria ver meu filho mas disseram que só no dia seguinte pois estavam fazendo uma série de procedimentos para pulsar o líquido que estava nele e ele ficar bom. Então pensei: “amanhã ele estará melhor”.Acordei e pedi novamente para ir na UTI ver meu pequeno e de novo uma negativa, mais algumas intermináveis horas se passaram até que minha médica entrou e deu a notícia de que ele não tinha resistido.Meu Deus, parecia que tinham arrancado o coração de dentro de mim, meu mundo e do meu marido desabou, eu não parava de chorar. Ainda assim queria ver meu filho. Fui até a UTI pude segurá-lo em meus braços, já sem vida, queria ficar lá para sempre, olhando para ele e não ter que me despedir já que acabávamos de nos conhecer.

Não pude ficar mais, voltei para minha cadeira de rodas, já que não conseguia nem andar e fui para o quarto. Enquanto isso a família do meu marido, minha mãe e meu irmão providenciavam enterro, caixão e coisas que eu nem fazia idéia. Eu, pela primeira vez, achava que ia morrer. A dor era profunda, estava fraca, tive vários desmaios, estava tomando muitos remédios e entre eles um para não descer meu leite o que aumentaria ainda mais minha dor. Enquanto vivíamos esse pesadelo, no corredor da maternidade ouvíamos chorinhos de bebês, pessoas comemorando e para completar entra uma nutricionista no quarto querendo me falar sobre dieta para a amamentação, desabei de novo. Meu marido, além da dor de ter perdido o filho, achou que ia me perder também, nunca tinha me visto daquele jeito.

No dia seguinte acordei e fui para o cemitério, como estava muito fraca fui de novo de cadeira de rodas, quase não me lembro do enterro pois a cena foi tão dura que acho que fiquei anestesiada, ver aquele caixão tão minuscúsculo, carregando a coisa mais importante da minha vida…Finalmente hora de voltar para casa. Meus dois filhos me esperando, esperando o irmão. Não sei de onde tirei forças, ou melhor eu sei, ao olhar meus dois filhos eu lembrei de como era abençoada. Expliquei que o irmão tinha nascido muito doente e que por isso tinha ido para o céu, não conseguiu viver.(...)Isso tudo ocorreu no espaço de uns 5 dias, nesse meio tempo contamos aos amigos e rapidamente a notícia se espalhou. Recebemos várias mensagens acolhedoras e outras nem tanto e alguns simplesmente não se manifestaram.E como nessas horas apoio é tudo, queria compartilhar o que me ajudou na época: – Recebi o telefonema de pessoas queridas que por mais que não soubessem como reagir, eu via o esforço para nos consolar e eu sou das antigas prefiro sempre um telefonema.– Alguns amigos próximos nos visitaram para saber como estávamos e receber um abraço apertado nessas horas é muito bom.– Recebi algumas mensagens de pessoas que não sou tão próxima compartilhando estórias parecidas de filhos que se foram, que me confortou muito saber como outras pessoas lidaram com algo parecido ou até pior, a esposa de um amigo tinha passado por isso e não fazíamos idéia…– Lembro que recebi flores de uma pessoa que não tinha tanta intimidade e fiquei tão feliz com o carinho, as pessoas não imaginam como isso faz diferença.– Tiveram pessoas que eu não tinha muita intimidade e que esperaram me encontrar para poder dizer como sentiram pelo o que havia ocorrido e fico feliz que tenham dito, foi bom sentir essa solidariedade.

Após passar por um trauma terrível, essa mulher tem um exemplo de vida lindo para nos dar

Quando não temos tanta intimidade qualquer sinal de solidariedade é muito bem vindo, seja ele mensagem, telefonema, flores enfim mas por outro lado esperávamos que as pessoas que convivemos nos ligassem, nem que fosse um tempo depois e muitos nunca tocaram no assunto.Sei que as pessoas não sabem lidar com a morte mas queria desabafar que é horrível passar por tudo isso e não receber um sinal de carinho de pessoas que convivemos, amigos próximos ou não. Tiveram pessoas próximas que não deram se quer um telefonema, e outros amigos próximos que mandaram uma mensagem de WhatsApp com um emoji em resposta a mensagem que mandamos com a notícia e nunca mais se manifestaram e quando nos encontraram era como se nada tivesse acontecido. Acho estranho como o WhatsApp e seus emojis tornaram as relações tão superficiais.Sei que não é fácil abordar um assunto como esse mas falar alguma coisa para quem passou por isso, do tipo – soubemos o que houve e sentimos muito, você está bem? Nem que seja por mensagem, mas escrever mais que duas palavras, acho que a situação pedia… E quem é mais próximo dar um telefonema acho básico, mostra uma sensibilidade com a dor do outro e é bastante reconfortante.

Por fim, também queria dizer para não esquecerem do PAI, que sofre mais calado normalmente, e meu marido foi um herói. Ele sofreu muito também e por mais que não tenha carregado o Joaquim na barriga, ele foi em cada ultrassom e consulta e além da dor dele ainda teve que ser forte para me consolar e cuidar de mim, e muitas vezes as pessoas me consolavam e sequer falavam qualquer coisa para meu marido, ou perguntavam para ele se eu estava bem mas esqueciam de perguntar dele.Enfim sei que muitas das coisas que falei sobre a reação das pessoas faz parte de dificuldades de cada um em lidar com a morte, e outros pela superficialidade que tratam a própria vida, não sendo nada pessoal mas acho que se lerem isso talvez possam entender como o silêncio pode se confundir com apatia para quem está sofrendo e como pequenas atitudes ajudam quem passa por um momento de dor.Hoje estou bem e feliz. Meus filhos me resgataram para a vida e toda a dor que passei me fez dar ainda mais valor a tudo que tenho e amo. Quatro meses depois fiz tratamento novamente para engravidar pois aquele espaço precisava ser preenchido e hoje estou prestes a dar a luz à Giovanna, uma enorme alegria na minha vida. Mas o Joaquim sempre será meu filho! Às vezes as pessoas acham que como estou grávida tudo passou e aí eu recebi um texto da minha querida pediatra que traduz o significado desse novo bebê que está para chegar. “A Giovanna será o que é chamado de rainbow baby:O chamado bebê arco-íris é a compreensão de que a beleza de um arco-íris não nega a devastação deixada pela tempestade.Ou seja, o nascimento da nossa tão esperada Giovanna não nega ou abafa o sofrimento e falta que o Joaquim nos faz até hoje mas nos mostra que em meio a uma tempestade pode surgir um lindo e colorido arco-íris. A nuvens ainda podem permanecer mas o arco-íris nos enche de cor, energia e esperança”.

E hoje é assim que me sinto e espero que esse arco-iris possa aparecer para tantas outras mães que tiveram uma experiência parecida com a minha."

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