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Para estimular alunos a escreverem certo e ler mais, escolas criam projeto de troca de cartas

Com o advento da tecnologia, cada vez mais crianças criam hábitos de digitar errado e, pior ainda, nem criam o costume de ler e escrever, ficam apenas no universo digital.

Pensando nisso, uma escola de Jaú, em São Paulo, criou um projeto para que os alunos se comunicassem por cartas, o “Cartas trocadas, histórias compartilhadas”.

“O nosso objetivo é que eles criem gosto pela leitura e pela escrita e isso tem nos dado muitos resultados. Nós percebemos que as crianças do mundo atual tem muito interesse pela tecnologia, mas quando nós apresentamos as cartas para eles, eles ficaram fascinados, a expectativa da chegada da carta do colega e isso nos fascinou também, então agora, eles estão esperando a escrita, esperando a carta, esperando que o colega responda a carta deles, e isso tá sendo muito legal”, destaca a diretora Adriana Rosseto em entrevista ao G1.

“Está sendo muito legal. É diferente e eu sinto que estou fazendo novos amigos, além do celular, da internet, do computador, é um amigo a moda antiga”, conta Marielly Hernandes, de 11 anos.

“A gente pensa, vamos fazer um trabalho mais bonito, vamos fazer uma letra bonita, pra deixar a pessoa falar – ‘nossa essa pessoa escreve bem, essa pessoa se dedica bastante’”, afirma Lucas Brito, também com 11 anos.

E o sucesso da iniciativa foi tão grande que agora 13 escolas da cidade se correspondem entre si e no momento utilizando como base as histórias do escritor Monteiro Lobato.

“A gente percebeu que eles liam muito pouco e Monteiro Lobato foi praticamente o nosso precursor, ele transformou a nossa literatura infantil. Eles conseguem realmente falar do personagem como se eles fossem o personagem, eles descrevem como se fossem”, explica a professora Maria Cristina Faraco.

“Quando eu começo a escrever a carta, eu percebo que vai mudando muito de quando você está no computador, eu gosto de escrever aí fica mais legal, eu vou escrevendo textos grandes para as pessoas, vai melhorando, além de fazer ele ser um amigo meu”, completa Marcos Galacini, de 11 anos.

“Ela (mãe) disse que quando ela morava no sítio ela escrevia muita carta, porque não tinha essas coisas de celular, computador. Acho que na hora que a gente vai mexer no celular, no computador também, a gente lembra que a gente escreveu a carta e acaba escrevendo melhor”, destaca Yasmim Raíssa, de 11 anos.

Após seis meses, os alunos finalmente se encontraram e conhecerem seus amigos de cartas em um evento no shopping da cidade.

A festa contou com atrações relacionadas ao mundo descrito por Monteiro Lobato nos livros.

Neste dias, as crianças entregaram suas cartinhas pessoalmente aos seus amigos.

Uma curiosidade? Ninguém levou o celular para o encontro.

“Eu estou escrevendo mais, ao invés de ficar só no celular, abreviando as palavras, eu as escrevo por inteiro e também que eu vou ter uma amiga nova para poder conversar”, afirma Marielly.

“Nós sentimos um enriquecimento da leitura e da escrita deles, eles estão lendo e escrevendo muito melhor”, completa a diretora.

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