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Falta oportunidade: preso é medalhista na Olimpíada Brasileira de Matemática

O preconceito enraizado de toda a sociedade contra pessoas presas impede a gente de enxergar o potencial que cada uma delas carrega. Não deveria ser assim, afinal, tudo o que elas menos precisam para se regenerar é a nossa descrença. Precisam, sim, é de oportunidades e estímulo para desenvolver suas melhores qualidades – que todos nós temos.

O mineiro Wesley Lopes, 20 anos, ilustra bem isso. Preso desde 2013, condenado a uma pena de 4 anos e 10 meses de reclusão, o rapaz, filho de uma ajudante de cozinha, conquistou a medalha de bronze da edição de 2015 da Olimpíada Brasileira de Matemática (Obmep), que teve 18 milhões de estudantes inscritos.

Wesley recebeu a notícia por meio de duas cartas enviadas à Penintenciária de Muriaé: uma para a direção da escola da unidade prisional e outra para ele. Ambas parabenizavam Wesley pela conquista e faziam um convite para que o rapaz participasse do Programa de Iniciação Científica Júnior da Obmep, destinado aos medalhistas de ouro, prata e bronze.

O curso é uma espécie de aprofundamento em Matemática a partir de discussões em fóruns a distância, com um encontro presencial por mês e a participação de professores de algumas das melhores universidades do país. Além do mais, o programa oferece uma bolsa mensal de R$ 100: valor padrão em programas de iniciação científica júnior.

Wesley foi preso pouco depois de completar 18 anos e havia abandonado a escola quando estava na 7ª série, quatro anos antes. “Desanimei por que não via futuro nos estudos. Não acreditava que poderia melhorar minha vida”, desabafa.

O caso do rapaz será examinado pela Justiça, pois Wesley precisará de acesso à internet e uma conta de e-mail, normalmente negado aos presos, para poder participar do programa da Obmep. A data limite para a inscrição é até o fim de fevereiro. Que o bom senso prevaleça.

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